José Guilherme Castro
Com uma outra comunicação “Um outro mundo é possível”
Apesar de Minas Gerais ser o estado brasileiro com o maior
número de municípios, o segundo em população e economia, e de nossa capital ser
a terceira cidade mais importante do país, fazemos parte dos mais de 5 mil
municípios brasileiros retransmissores da mídia oficial sediada no Rio de
Janeiro e São Paulo. Que por sinal são retransmissores, não só do jornalismo e
da programação, como também da estética, conteúdo, formato e linguagem da mídia
estadunidense e européia .
Há cinco anos atrás tínhamos pouco mais de 3.200 rádios
autorizadas operando em cerca de 1.500 cidades brasileiras. Nesta mesma época,
eram 2 mil emissoras de baixa potência em funcionamento, com uma grade de
programação de menos de 10 horas diárias em aproximadamente mil municípios.
Nestes cinco anos, um pequeno número de novas rádios
autorizadas entraram no ar, enquanto mais de 15 mil emissoras de baixa potência
foram instaladas em cerca de 4 mil municípios, com mais de 15 horas de
programação ao vivo todos os dias. Este fato está tornando o Brasil uma das
poucas nações, senão a única, que nos últimos 5 anos vem vivendo uma profunda
transformação em seu sistema de radiodifusão.
As
emissoras de baixa potência, apesar de possuírem endereços fixos, estatutos e
alvará de funcionamento, estão sendo colocadas na clandestinidade, e na ilegalidade. São perseguidas de forma
criminosa por governantes corruptos, imorais e comprometidos com os interesses
internacionais. Só no último (1993 a 1996) período
foram fechadas - lacradas, segundo o ministro das comunicações - mais de 5 mil
rádios.
Em
média cada emissora gera 10 postos de trabalho diretos, um número incalculável
de empregos indiretos, e, cada vez mais, estas rádios são legitimados pela comunidade. Esse fenômeno
que ocorre de modo irreversível se deve não só ao fato da apropriação
tecnológica em larga escala por diversos segmentos da população, como também
porque são essas emissoras o espaço onde a publicidade e o intercâmbio das
atividades políticas, econômicas, sociais e culturais começam a possibilitar o
autodesenvolvimento das comunidades.
Grande
parte dessas emissoras representam o mais importante instrumentos de
organização da comunidade, além da solução de emergências diárias, como
ambulâncias, localização de parentes desaparecidos, informações sobre campanhas
de saúde, mobilização da comunidade em casos de calamidades, segurança, etc.
BH a capital da ousadia
A
liberdade de expressão foi e é cultivada por muitos moradores de nossa cidade,
tornando Belo Horizonte um dos principais palcos de eventos e ações concretas
em defesa da democratização da radiodifusão no país. O professor Guy de
Almeida, a socialista Helena Greco, o jornalista Luiz Carlos Bernardes, o juiz
Edvaldo Farias, o cartunista Nilson Azevedo, as professoras Regina Mota e Sandra
Freitas, professor Wemensom de Amorim entre
muitas e muitos outros são nossos vizinhos.
A
partir de maio próximo, a ousadia da nossa cidade será mostrada nas telas de
cinema, em vários países, com o longa metragem “Uma onda no ar” do cineasta
Helvécio Ratton, que focaliza a comunicação livre e popular de BH, Minas e
Brasil.
Fomos a primeira cidade da América do Sul a instalar uma rádio FM
estéreo; a primeira capital do país que colocou em operação o sistema de tv a
cabo; a TV Cultura Serra Verde foi a primeira TV comunitária de sinal aberto
UHF a funcionar em uma capital; o
estatuto da ACIP-Associação Comunitária de Informação Popular, foi também o
primeiro onde se assegurou aos movimentos sociais da cidade ocupar o canal
comunitário a cabo; e desde fevereiro de 2000 estamos construindo o Sistema
Independente de Comunicação José Roberto Rezende.
A
Rádio Favela FM fica na Serra do Curral, a Rádio União FM está no Aglomerado
Santa Lúcia, a Rádio Santé FM vai ficar na Rádio Pirata FM, as Rádios Lagoinha
FM, Taquaril FM, Savassi FM, Filadélfia FM, Venda Nova FM, Lurdes FM,
Califórnia FM, Cidade Nova FM, Santa Monica FM estão localizadas nos seus
respectivos bairros. Mas existem muitas outras espalhadas pela cidade, entre
elas a Rádio Brasil FM, a Rádio Satélite FM, a Rádio Avalanta FM, a Rádio
Europa FM, a Rádio Integração FM, a Rádio Vida Nova FM, a Rádio Vitória FM, a
Rádio Periferia FM, a Rádio Impacto FM, a Rádio Tropical FM, a Rádio Conexão
Vida FM, a Rádio Caratinga FM, a Rádio
Comunitária FM, a Rádio Central FM, a Rádio Memorial FM, a Rádio Missão FM, a
Rádio Cidade Livre FM, a Rádio Nova Geração FM, a Rádio Lua Nova FM, a Rádio
Aliança FM, a Rádio Sintonia FM, a Rádio Alternativa FM.
A
ABRAÇO MG-Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária de Minas Gerais
estará articulando com as emissoras acima, outras emissoras livres e
comunitárias da cidade, entidades, movimentos sociais, sindicatos, artistas,
intelectuais, autoridades e cidadãos, o apoio e a potencialização do sistema de
radiodifusão público, comunitário e livre de Belo Horizonte, realizar o Ato
Político e Cultural em Defesa da Liberdade de Expressão e da Radiodifusão
Comunitária e livre, a reestruturação do Comitê Mineiro do Fórum Nacional Pela
Democratização da Comunicação.
José Guilherme Castro
Presidente ABRAÇO-Minas
20/outubro/2001
Carta distribuída Congresso de Fundação da ABRAÇO BH
ABRAÇO Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
Av. Afonso
Pena, 1500 / 18o-BH-MG Cep: 30 130 005- (31) 3274 7272 ou 9681 8250
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