domingo, 25 de março de 2012

Texto II - Projeto que desenvolvo atualmente:


Para descobrir os talentos e eficiências dos incomuns?
Não basta oferecer a mão, é preciso dar a mão!
Para desfrutar das riquezas e a “boniteza” dos incomuns?
Quando der a mão, é aconselhável oferecer o coração!
 :
Sistema SOLIDARIEDADE de Comunicação
 Você Participa, Aparece e Cresce
 Mais de um bilhão de pessoas gritando juntas, quem vai fingir que não escutou?
Editorias:
Sinais de Outra Comunicação.
As contribuições dos incomuns na humanização da humanidade,
 através das suas diferentes formas de viver o mundo.
Brasil é Espetáculo
Os incomuns nas galerias, campos, praças, palcos, quadras, ruas, telas, pistas, mostras,
piscinas, feiras, livros, tatames e todas outras passarelas.
Sol na Moleira
Energia, alimentos e flores: nos trópicos, se plantando e cuidando tudo dá.
Breve histórico – jan/2012
Protagonizado pelas pessoas com deficiência e/ou sofrimento mental, que nós consideramos cidadãos e cidadãs com talentos&eficiências ESPECIAIS e que nós chamando de “INCOMUNS”, pessoas com talentos e eficiências, especiais, aquelas que a sociedade, depois de muitos outros já dados, diz hoje que é politicamente correto chama-los de pessoas com deficiência e/ou com sofrimento mental.
                A experiência da Rádio Constelação, as várias vivências e lutas das quais participamos, os apoios, dos quais destacamos a permanente qualificação do jornalista Luis Carlos Bernardes (Peninha), orientação do professor Wemerson de Amorim (coordenador da Rádio FaE/UFMG) e o apoio do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal - SITRAEMG , foram o grande diferencial nas realizações da primeira etapa do  Sistema SOLIDARIEDADE de Comunicação.
                O fato inovador da proposta não é a construção de um sistema de comunicação deles, para eles e com eles, pois os talentos e eficiências especiais superam em muito as limitações.  O novo do projeto é juntar todas e todos no mesmo vivenciar, afinal, somos todos iguais, com as devidas e significativas diferenças.
                As ações e reflexões, avanços e retrocessos, conquistas e derrotas foram os ingredientes que nos possibilitaram chegar até aqui. Hoje, além de outros parceiros formalizados, contamos com o Ministério da Cultura, através dos projetos do Programa Cultura Viva: Ponto e Pontão de Cultura e Prêmio Tuxaua. 
                Mesmo sendo uma experiência inovadora e possuindo pouca infraestrutura humana e material, as experiências e disposições dos envolvidos, possibilitaram avançarmos bastante: os movimentos e realizações dos incomuns a que tivemos acesso, as articulações que realizamos o conhecimento das possibilidades e das barreiras a serem ultrapassadas, e o acúmulo adquirido estão certificados no acervo audiovisual que construímos.            

   Ainda é preciso avançar muito, mas com determinação, trabalho e ousadia, subterraneamente, BH vem se constituindo como referencia nas práticas sociais, educacionais, de saúde, culturais e políticas em relação aos avanços necessários para que a sociedade desfrute das riquezas que as cidadãs e cidadãos com Talentos e Eficiências Especiais têm proporcionado para a humanização da humanidade e na construção de “cidades jardins” com “belos horizontes”. Entre as muitas ações destacamos:
·         Desfile/Manifestação da Escola de Samba Liberdade Ainda Que TamTam nos 18TÕES de maio -Dia Nacional da Luta Antimanicomial (maior manifestação mundial por uma sociedade sem manicômio), a Mostra de Arte Insensata e também a Suricato – Associação de Trabalho e Produção Solidária e outras ações políticas, culturais e econômicas dos militantes da reforma psiquiátrica, que vêm transformando Belo Horizonte em uma das principais referências do serviço substitutivo mundial
·         Nai - Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais, da PUC Minas. Um campo de atuação ainda muito pouco conhecido, referente ao suporte necessário ao aluno com deficiência, que conseguiu desafiar e superar as barreiras impostas pela sociedade em geral e romper as portas da Universidade. O NAI é um trabalho de vanguarda no espaço universitário brasileiro.
·         O processo que estamos construindo com a Faculdade de Educação da UFMG para elaboração de um curso de extensão de capacitação dos incomuns da região metropolitana de BH para formarem a primeira equipe do projeto e também  para nos qualificar, de modo que possamos despertar e orientar o desenvolvimento de equipes em outras regiões do Brasil e de outras partes do mundo para a construção de um Sistema SOLIDARIEDADE de Comunicação.

Construindo Redes de Comunicação e Inclusão

Breve sistematização da nossa caminhada na construção do Sistema SOLIDARIEDADE de Comunicação

            Quando demos início ao Sistema SOLIDARIEDADE de Comunicação, apostamos no sucesso de nosso trabalho baseado nos talentos e eficiências especiais dos incomuns que já haviam sido constatados em nossas experiências passadas. Entretanto, ao nos aprofundarmos nos estudos, percebemos que a superação de nossas expectativas só não foi maior, devido às limitações e deficiências da sociedade em lidar com a diferença.
            Vivemos em uma sociedade hegemonizada pelos “normais”, sociedade esta com profundas deficiências e pouca lucidez. Quando iniciamos o processo de implantação do Sistema SOLIDARIEDADE de Comunicação pensávamos que um dos maiores desafios seria a ignorância dos comuns em relação às potencialidades dos incomuns. Agora que já temos quatro anos de caminhada, percebemos que a situação é bem mais grave do que pensávamos. O que nós encontramos foi uma sociedade que ainda nem chegou ao estágio de ignorância das capacidades dos diferentes, simplesmente por não conseguir enxergá-los. É preciso primeiro que esta sociedade se sensibilize em relação aos diferentes, para depois iniciar um processo de descobrimento dos inúmeros talentos que também são permitidos a estes.
            Não é um processo simples a sensibilização dos comuns às necessidades e principalmente às potencialidades dos incomuns. Muita energia e muito tempo foi gasto, inclusive dentro de nosso grupo de trabalho, com a administração dos conflitos provocados pela falta de trato com a diferença do outro. A intensidade do convívio com o diferente durante estes quatro anos, nos rendeu, além dos frutos preciosos, vários momentos constrangedores, pelo simples fato de estarmos “aprendendo” a lidar com a diversidade cultural que ultrapassa a fronteira do convencional.
            A necessidade de mudança é tamanha, que mesmo que haja vontade política em prol do diferente, os abismos da diversidade ainda não serão extintos. Conquistaríamos apenas uma inclusão precária. Deve sim haver uma mudança drástica no tratamento destes seres humanos tão humanos quanto nós, entretanto, esta mudança deverá obrigatoriamente ser conduzida tendo-os como protagonistas.
            Durante todo esse tempo, o acompanhamento do professor Wemerson de Amorim, da FaE - Faculdade de Educação da UFMG, foi a melhor das bússolas utilizadas para a travessia. Além da orientação permanente, ele nos fez conhecer os trabalhos das professoras Priscila Augusta Lima e Rosilene Horta Tavares da FaE, ações da UFMG e de outras experiências vivenciadas e pesquisadas por ele.
Sabemos que academia não pode tudo, mas a UFMG pode muito, e a Faculdade de Educação tem os recursos estratégicos para ser canteiro da obra.
            Participamos e acompanhamos atividades da UFMG e de outras academias, algumas com maior, outras com menor intensidade.
            O dia 17 de novembro de 2011 foi decisivo. Fomos ao lançamento do e.AR - Espaço de Aprendizado em Rede, trabalho coordenado pela professora Regina Mota, do Departamento de Comunicação Social. Durante a apresentação, nos certificamos de que a plataforma desenvolvida possui várias respostas e possibilidades para a potencialização do Sistema SOLIDARIEDADE de Comunicação. Depois participamos do Debates em Foco: Capitalismo e Movimentos Sociais Contemporâneos na Faculdade de Educação FaE. A professora Silvania Nascimento (FaE) falou sobre Articulações de Formação em Ciência e Tecnologia e os Desafios da Inclusão Informacional e o professor Wemerson de Amorim (FaE) sobre Rádio e Educação. Nesta atividade encontramos a resposta sobre qual a pedagogia que o novo paradigma da comunicação possibilita: compartilhamento, cooperação e socialização dos conhecimentos.
            Não estamos falando de um mundo futuro, as ferramentas pedagógicas digitais são possibilidades que a cada dia estão mais presentes. Além de serem aperfeiçoadas cotidianamente, novas descobertas ocorrem em um ritmo estonteante. Por outro lado, o número de incomuns na sociedade é cada vez maior. Como afirmou o professor Paulinho Saturnino: “... a humanidade resolveu que não quer morrer. Cada vez mais são descobertas novas soluções que aumentam o tempo de permanência do homem e da mulher aqui na terra. Assim irá aumentar muito o número de pessoas cadeirantes, sem ou com baixa visão ou audição ao nosso redor...”.
            Voltamos para a FAFICH, na esperança de acompanhar o final da seção da comemoração dos 50 anos do curso de comunicação. As portas do auditório já estavam fechadas e só havia umas três ou quatro pessoas do lado de fora. Mas uma delas era a peça que faltava no nosso tabuleiro: Paulinho Saturnino: ex-professor e ex-diretor da FAFICH e permanente ativista pela vida. Veja aqui um fragmento de uma das suas últimas ações.

A Para coroar esse dia 17 de novembro de 2011 a continuidade do “nunca antes neste país”. Foi postado o vídeo (assista aqui),  depois dos cumprimentos, que terminam aos 7 min e 30 seg, pode-se ouvir e ver:
DISCURSO: “queria dizer que hoje, esse é um momento que vale a pena ser presidente”.
VONTADE de governo durante os 26 min e 52 seg.
              MATERIALIDADE: Viver sem Limite serão investidos R$ 7,6 bilhões até 2014.

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